quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A Memória nessa noite, atravessou a Avenida!

Belíssimo texto de Fátima Carneiro, sobre a já histórica noite mágica do dia 27/11, ilustrada por fotos inéditas de Wendell Silva!

A MEMÓRIA, NESSA NOITE, ATRAVESSOU A AVENIDA! 

Por Fátima Carneiro

Eu caminhava com familiares em direção ao local onde seria exibido, em estreia, o filme “Cinema de Seu Duca”. Fui ouvindo comentários de rua, em meio à noite que caía, na Avenida Barão do Rio Branco de Castanhal: “Não dá para estacionar mais nesta rua”; “não tem mais lugar sentado”; “O que está acontecendo? não sei”;”Deve ser aquele filme, que vai passar no meio da rua”...


Seguindo pela mesma Barão, subitamente desfigurada para o Evento, sem carros e sem guardas de trânsito, pude ver,ao longe, imponente, o telão atravessado na avenida, em frente ao prédio onde funcionou o cine Argus,com suas 550 cadeiras enfileiradas na rua, quase todas ocupadas. Pessoas em grupo (como meus familiares e eu), crianças e idosos, todos corriam para tomar um lugar. Ainda procurando uma cadeira, ao menos uma, desocupada,cheguei em frente à loja “D’Ele e D’Ela” e encontrei o Amílcar, que vinha em direção contrária. Falou-me que ia ser difícil encontrar cadeira vazia. Mas aí uma surpresa: uma jovem me cedeu sua cadeira, na verdade ela se livrou do lugar e da cadeira mal localizada, inclinada pela borda do asfalto e de onde não se podia ver senão um terço da tela, em razão de um grupo de pessoas estarem em pé próximo à copa de uma árvore pequena, frente a esses assentos. Dei-me por feliz. Sentada com minha neta no colo, eu me sentia imensamente feliz de estar ali, presente naquela estreia tão esperada,sentindo a reação das pessoas ao filme, eu que sou uma das entrevistadas do diretor Edivaldo Moura. Concentrei-me no filme que começava, lá permanecendo até o final da sessão, enquanto minha turma seguiu em outra direção, arriscando encontrar ainda algum lugar.
Em torno de mim havia idosos, adultos, jovens e crianças. Havia também venda de alimentos: batata frita, algodão doce, etc e ainda de água e refrigerante. E um troca-troca de cadeiras, sempre que amigos se encontravam. E as turmas de amigos se encontravam. Aquilo estava um encontro festivo. E os comentários prosseguiam: “É seu Duca? Ele já apareceu? A voz é dele, mesmo?”


Reações de espanto foi quando os senhores Adalberto Moraes e Almir Lima apareceram. E de riso, gargalhada, quem provocou foi Joaquim, o conhecido Paty.
A noite avançava e estava bonita. Ventilada e acolhedora, ajudava a colocar todos em sintonia, sem que isso fossem as costumeiras filas de banco, do atendimento médico, ou do caixa de supermercados, do cotidiano, enfim. Sem suor ou correria, naquela noite, já chamada por muitos de mágica, todos olhavam para o telão, poucas vezes imaginado antes, onde os astros e estrelas do filme narravam a mais interessante das histórias, a nossa própria história, ajudando a reconstruir a memória que o desenvolvimento arrancou. Como num verdadeiro passe de mágica, o Mago Pathy fez aparecer na tela, como protagonistas, os que estiveram sempre nos bastidores ajudando, com o trabalho de exibição cinematográfica, a repassar dramas, emoções, aventuras e ficção de roteiros alheios. Agora, ali, naquela noite mágica, chegou enfim, o dia desses atores e atrizes narrarem a própria história. E foi o que se viu. Olhos pregados na tela, risos e lágrimas, gritinhos de surpresa e aplausos, muitos aplausos.



De repente, fim de festa, acabou a sessão. Tentei fazer umas fotos daquele público impressionante. Comecei a empilhar cadeiras,buscando me movimentar em direção a meus familiares, que eu devia procurar. Nisso fui reconhecida pela Antônia, suas filhas,  genro e netos, a Sandra com a filha, nossa vizinha Amélia e familiares e a Heliana Barriga. Fui localizada por meus familiares. Os amigos se despediam, estavam felizes com a participação de dona Nila Queiroz Carneiro no filme.
Fomos nos dirigindo para próximo do telão, onde a a turma da imprensa filmava e ainda coletava depoimentos. Edivaldo Moura e esposa, meus irmãos e irmãs estavam quase todos lá e a grande surpresa era a presença do Waldir e suas filhas, ele que esteve muito tempo à frente do cinema de Capanema e que soube do filme pela divulgação feita pela TV Liberal. O grande assunto era quantificar aquela multidão: 1.000, 1.400 pessoas? Continuei conversando com uma e outra pessoa que se aproximava de mim. Só então cheguei perto do mingau de arroz, servido pela minha Comadre Francisca, e dos DVDs, que estavam a cargo de Marta e Denise. O amigo Max Bastos estava lá e comentou comigo: “Seu Duca deve estar por perto e acredito que está muito feliz com tudo isso”.
De repente um barulho forte e estranho atrás de nós, era a desmontagem do telão.
Outro ruído conhecido, também forte, era o piuiii...da máquina do último comboio de trens do dia, que chegava à Estação da Estrada de Ferro de Bragança-EFB de Castanhal, desacelerando e dando tempo para os frequentadores da sessão de cinema descerem dos trilhos. Tudo aconteceu sem atropelos e todos foram entendendo que a conversa prosseguiria, sim, em bares e restaurantes, ou nas varandas das casas, por várias horas ainda, daquela e das outras muitas noites mágicas, que estariam por vir. Afinal, quando cerca de 2.000 pessoas se encontram com data e hora marcada, para viver uma mesma emoção, há energia suficiente, como numa explosão, que movimenta um motor, mas gera também outros movimentos espontâneos.
E depois dessa noite mágica, nada mais será como antes. Se a noite foi realmente mágica, do futuro podemos esperar muito.
Valeu, Edivaldo Moura!
Valeu equipe de produção, colaboradores, apoiadores, Prefeitura de Castanhal e Universidade Federal do Pará.
Valeu, seu Duca!

O Cinema de Seu Duca agradece a Dele & Dela

A inesquecível estreia do filme O Cinema de Seu Duca, no dia 27 de outubro de 2016, na Avenida Barão do Rio Branco, contou com o apoio da Dele & Dela.

Agradecemos imensamente a essa importante empresa castanhalense que acreditou em nosso projeto e contribuiu para a realização do evento que promoveu um verdadeiro revival em Castanhal, reunindo mais de 2.000 pessoas! 

A repercussão da estreia ainda ecoa em Castanhal. E a equipe de produção já prepara uma nova surpresa para a cidade...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cine Argus In Memorian

Neste dia de finados, queremos homenagear alguns personagens dos filmes Memórias do Cine Argus e O Cinema de Seu Duca, que não estão mais entre nós, mas que estão eternizados pelo cinema. Alguns tivemos a honra de entrevistar para o filme. Outros foram para o plano espiritual antes mesmo do lançamento do Memórias, como é o caso daquele que é, sem dúvida, o personagem mais importante de nossas produções: Manoel Carneiro Pinto Filho, ou Seu Duca do cinema. A eles, toda a nossa homenagem!

 Manoel Carneiro Pinto Filho (Seu Duca do Cinema) - 1918 - 1982
Fundador do Cine Argus, junto com Paulo Cavalcante, em 1938. Com a desistência do amigo, continuou o empreendimento até 1982, ano em que faleceu em um acidente automobolístico, quando voltava de Imperatriz, na qual fora visitar o Cine Marabá, um dos cinemas do circuito interiorano que construiu.

Paulo Pereira Cavalcante
Procurando um local para exibir filmes com um pequeno aparelho de projeção portátil, encontrou com Manoel Carneiro Pinto Filho (Seu Duca) em 1938, em Castanhal, onde juntos fundaram o Cine Argus em um galpão no fundos do Armazém de Seu Anastácio, onde Duca trabalhava, nas adjacências da Estação Ferroviária.

Técnico e Projecionista do Cine Argus. Um dos braços direitos de Seu Duca, de quem aprendeu o ofício e seus conhecimentos de mecânica. Fazia diversas viagens pelos cinemas do circuito interiorano criado por Manoel Carneiro, prestando assistência técnica e projetando filmes. Faleceu em 2016, vítima de diabetes. 

 Mário Sena 
Um dos projecionista mais importantes do Cine Argus, que dedicou muitos anos de sua vida ao cinema de Seu Duca. Além do Cine Argus, também trabalhou um tempo no Cine Palace, em Santa Izabel, um dos cinemas do circuito exibidor criador por Seu Duca.

Servidor público, exercendo o cargo de padeiro do IFPA, foi grande frequentador do Cine Argus. Um dos personagem mais irreverentes de nossos filmes, conta suas astúcias para furar a fila do cinema e levar as garotas da escola para assistir filmes pornôs. Figuraço!

 Adalberto de Morais
Comerciante e grande frequentador do Cine Argus. Diácono da Igreja Católica muito conhecido em Castanhal. Pai do professor Adalberto de Morais Filho (professor Betinho), outro importante personagem do filme.

Almir Lima
Amigo pessoal de Seu Duca e grande frequentador do Cine Argus. Foi prefeito de Castanhal de 1971 a 1972 e de 1977 a 1982. Sob sua gestão, foi construído o Cristo Redentor e derrubada a Estação Ferroviária, após a substituição do trem pelo transporte rodoviário.

Grande locutor de Castanhal, comandante principal das matinês do Cine Argus, com um programa de calouros chamado "Divertimentos em Desfile", nas décadas de 50 e 60. Muito citado em nossos filmes, especialmente em O Cinema de Seu Duca. Em nossos pesquisas, infelizmente não conseguimos nenhuma foto do Capiti e nem contato com algum parente.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Leve o Cine Argus pra sua Casa!

Quer levar o Cine Argus pra casa? Presentear alguém? O DVD O Cinema de Seu Duca já está à venda na Plástico Amazonas e na Banca da Praça! Corra e pegue o seu!


Dvd O Cinema de Seu Duca: 30,00
Kit dvds O Cinema de Seu Duca + Memórias do Cine Argus: 50,00
Camisa oficial do filme: 40,00

sábado, 29 de outubro de 2016

Crianças na Estreia do Cinema de Seu Duca

Haviam muitas crianças na Avenida Barão do Rio Branco, na noite do dia 27 de outubro de 2016, acompanhando seus pais e avós na estreia do filme que homenageou o Cine Argus e resgatou parte significativa da história de Castanhal. Mas, não é a essas crianças que o título desta post se refere. E sim às crianças das décadas de 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 90, que estavam reunidas ao longo da avenida e cujos olhos assistiam atentos, ternos e, muitas vezes, molhados, as histórias de suas infâncias que desfilavam no telão. 


Muitos depoimentos de pessoas agradecidas por rever parte de suas vidas descrevem como essas crianças afloraram felizes na noite da última quinta-feira. Uma dessas crianças foi o Dr. Chico Neto, que de forma muito gentil socializou suas emoções na forma de um lindo texto. Foram quatro anos de trabalho até nosso longa-metragem ficar pronto, sem o auxílio de leis de incentivo e com poucos recursos. Mas, o acontecimento mágico do dia 27 de outubro e depoimento como esse fazem tudo valer a pena! 

E você, o que sentiu na noite do dia 27 de outubro? Faça como o Dr. Chico Neto e socialize com a gente! Mande seu texto e foto, que poderemos ter o prazer de publicar!


EU CRIANÇA

 Por Dr. Chico Neto.

Ao chegar ontem à tarde em casa após um dia de trabalho, pude notar que tínhamos visita, uma criança alegre por demais conhecida saída da minha vida, por estar ali a se preparar para viver um momento feliz, à noite, na cidade, naquele lugar.

Em uma avenida aristocrática, bem preparada, templo sagrado de nossa história. Bem iluminada, sob um céu observador abençoava o focar de nossa memória.

O Cine Argus voltou, projetando o filme de nossas vidas! Todos estavam ali!

Ao fechar os meus olhos, respirei um ar de ternura, senti-me abraçado pela candura da minha alma, que me preparava para receber a energia ali produzida.

Revi o seu Duca, ouvi a sua voz eternizada entre nós, encantei-me com o seu exemplo de perseverança em suas andanças, na construção do seu legado. Corri pelo cinema, comi pipoca sob os olhos atentos do Pati, o fiel escudeiro.

A criança estava solta, alegre, feliz, que em dado momento tinha sua face molhada por lágrimas de êxtase por está lendo naquele momento o gibi da sua existência.

Cheguei a dado momento a pedir que ficasse quieta, pois o filme começara e tínhamos que ficar em silêncio em respeito a todos que ali estavam.

Um clássico foi exibido, ganhador da estatueta famosa, protagonizado por todos nós. 

Tinha que voltar ao lar, porém a criança teimava em ficar. Depois de convencida me fizera prometer que todos os dias antes de dormir teria que contar para ela, daquela noite naquele lugar.

Dr. Chico Neto e sua esposa Elaine de Magalhães